Na blog OBVIOUS li uma notícia interessante sobre um tal ’s Baggers, um restaurante na Alemanha que o escritor considera “automático”. Resumindo (leiam o artigo do obvious para ficarem mais esclarecidos sobre o sistema de atendimento deste restaurante), é um espaço de restauração com uma particularidade muito interessante e ao mesmo tempo alarmante, não somos atendidos por pessoas mas por computadores. Os pedidos são registados via web em ecrãs tácteis à disposição do cliente (na mesa) e os pedidos são trazidos directamente da cozinha num suporte em espiral sem tocarem as mãos de um comum empregado de mesa.
Tudo isto parece espetacular, tecnológico, limpo, rápido, prático e económico, e são nestes adjectivos que assentam os problemas. A humanidade caminhou sempre para um simplificação e automação de tarefas, a era industrial foi o auge destas transformações, agora, com a informatização frenética, vivemos uma ampliação dessa era. O homem mais rico de Portugal (ou um dos…) já implementou por cá as máquina registadores Self-Service, que dispensam pessoas das horas passadas em frente às compras dos outros, são estas pessoas que consomem grande parte do dinheiro da empresa, são as que dão mais dores de cabeça, exigem direitos, horários e salários justos e fazem greves…porque não então substituí-las por robots que dão conta do recado sem mandarem “bitaites” nem exigirem nada para além de energia eléctrica? A Via Verde é um outro caso de aniquilação de emprego, numa época em que a escassez deste é muita. É que cada vez somos mais e cada vez precisamos de menos! Esta pseudo-civilização trata de atacar os problemas com demasiada ligeireza e não se apercebe de erros que podem comprometer toda a evolução.
A problemática do desemprego não é a única que deve ser tida em conta, cada vez mais a despersonalização toma conta da sociedade, aquilo que era ontem um contacto saudável entre pessoas transformou-se hoje num frio e desagradável relacionamento entre as personagens intencionalmente desconhecidas, as tocas são cada vez mais e cada vez menos comuns, nos hiper mercados o atendimento é, no geral, frio, seco, puramente de foro comercial.

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