A muralha da china extendeu-se à Web. O governo usa a Web como propaganda política e mais importante do que as mensagens que se querem passar é aquilo que não deve passar, isto no paradigma do ridículo governo Chinês. A imagem que se segue ilustra bem algumas das palavras que os chineses não conseguem ver na Web:
No blog Arrastão pode-se encontrar um artigo que faz uma boa análise ao recente conflito entre o governo chinês e a Google: link
Num época de misérias eis que surge a revolução na música…a electrónica é sobe de posto e tudo pára para ouvir. Passados 10 anos fica registado que foram 10 anos de aprendizagem e consequentemente muito boa música.
Não é o melhor album de Radiohead nem o meu favorito, mas é um marco na história da música. Foi a juventude da música dos Radiohead, na tenra idade da experimentação e da aprendizagem, mas ao mesmo tempo maduro suficiente para marcar a sua posição.
Na blog OBVIOUS li uma notícia interessante sobre um tal ’s Baggers, um restaurante na Alemanha que o escritor considera “automático”. Resumindo (leiam o artigo do obvious para ficarem mais esclarecidos sobre o sistema de atendimento deste restaurante), é um espaço de restauração com uma particularidade muito interessante e ao mesmo tempo alarmante, não somos atendidos por pessoas mas por computadores. Os pedidos são registados via web em ecrãs tácteis à disposição do cliente (na mesa) e os pedidos são trazidos directamente da cozinha num suporte em espiral sem tocarem as mãos de um comum empregado de mesa.
Tudo isto parece espetacular, tecnológico, limpo, rápido, prático e económico, e são nestes adjectivos que assentam os problemas. A humanidade caminhou sempre para um simplificação e automação de tarefas, a era industrial foi o auge destas transformações, agora, com a informatização frenética, vivemos uma ampliação dessa era. O homem mais rico de Portugal (ou um dos…) já implementou por cá as máquina registadores Self-Service, que dispensam pessoas das horas passadas em frente às compras dos outros, são estas pessoas que consomem grande parte do dinheiro da empresa, são as que dão mais dores de cabeça, exigem direitos, horários e salários justos e fazem greves…porque não então substituí-las por robots que dão conta do recado sem mandarem “bitaites” nem exigirem nada para além de energia eléctrica? A Via Verde é um outro caso de aniquilação de emprego, numa época em que a escassez deste é muita. É que cada vez somos mais e cada vez precisamos de menos! Esta pseudo-civilização trata de atacar os problemas com demasiada ligeireza e não se apercebe de erros que podem comprometer toda a evolução.
A problemática do desemprego não é a única que deve ser tida em conta, cada vez mais a despersonalização toma conta da sociedade, aquilo que era ontem um contacto saudável entre pessoas transformou-se hoje num frio e desagradável relacionamento entre as personagens intencionalmente desconhecidas, as tocas são cada vez mais e cada vez menos comuns, nos hiper mercados o atendimento é, no geral, frio, seco, puramente de foro comercial.
O eurodeputado Christian Engström, do representante do Partido Pirata Sueco, pretende apresentar em parlamento europeu uma proposta de Declaração de Direitos da Internet, e para que esta seja o mais universal e completa possível pediu no seu blog que internautas de todo o mundo apresentassem propostas. Para já escreveu três princípios fundamentais, generalistas e que servem como base para futuras propostas:
Direitos fundamentais. A Convenção Europeia dos Direitos Humanos deve ser respeitada também na Internet, incluindo o Artigo 8 (o direito à privacidade) e o Artigo 10 (liberdade de informação).
Neutralidade da Internet. Os provedores de ligações à internet (ISP) devem respeitar a neutralidade nas suas ligações sem qualquer restrição de conteúdo, plataformas ou qualquer tipo de equipamentos.
Mera conduta. Oferecendo ligações à internet neutras, os ISP e outros provedores de infra-estruturas de informação não podem ser responsabilizados pela troca de informação entre os seus clientes.
A maior desgraça de uma nação pobre é que em vez de produzir riqueza, produz ricos.
Mas ricos sem riqueza!
Na realidade, melhor seria chamá-los, não de ricos, mas de endinheirados.
Rico é quem possui meios de produção.
Rico é quem gera dinheiro e dá emprego.
Endinheirado é quem simplesmente tem dinheiro, ou que pensa que tem.
Porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a ele.
A verdade é esta: são demasiados pobres os nossos “ricos”.
Aquilo que têm, não detêm.
Pior: aquilo que exibem como seu, é propriedade de outros.
É produto de roubo e de negociatas.
Não podem, porém, estes nossos endinheirados usufruir em tranquilidade
de tudo quanto roubaram.
Vivem na obsessão de poderem ser roubados.
Necessitavam de forças policiais à altura.
Mas forças policiais à altura acabariam por lançá-los a eles próprios na cadeia.
Necessitavam de uma ordem social em que houvesse poucas razões para a criminalidade.
Mas se eles enriqueceram foi graças a essa mesma desordem (…)
Criado com o objectivo de elevar a credibilidade e reconhecimento do Rock em toda a comunidade musical, pretendendo atingir os ouvidos mais apurados e elitistas, o Rock Progressivo (ou “prog”) marcou uma forte presença na história e evolução de toda música. Prima pela diversidade de influências e pela complexidade das suas criações. Bandas como Pink Floyd, Jethro Tull, Supertramp, Genesis, entre outras são exemplos de claro sucesso deste tipo de criações que registaram o pico na época de 70, e que ainda hoje vão marcando presença em bandas como Porcupine Tree que usam um Rock Progressivo com uma sonoridade mais “pesada” .
Os géneros musicais definem sonoridades comuns a um conjunto de artistas e de criações. Quanto a mim, o rock progressivo não cabe neste saco dos géneros (que são de um carácter ambíguo tão evidente que me obrigam a colocar a maioria destes fora do meu vocabulário), encaixa-se mais na definição de movimento do que de sonoridade. Concretizando a ideia: ouça-se o álbum The Dark Side of The Moon dos Pink Floyd, o Thick as a Brick dos Jethro Tull e o homónimo dos Gentle Giant, verificam-se semelhanças, sobretudo na forma da música e na estrutura dos álbuns, no entanto as sonoridades são distintas, divergindo até nas influências, não podendo então o conceito de Rock Progressivo definir uma determinada sonoridade, ao contrário do Folk ou o Romantismo (os academistas chamam época às diferentes correntes da história da música erudita, mas eu gosto de as usar também como géneros, uma vez que música erudita, mais uma vez, não define nenhum tipo de sonoridade).
Na internet ainda há destas coisas, interessantes pontos de encontro de mentes bem alimentadas e dispostas a assimilar mais:
Aqui um excelente artigo que não posso deixar de partilhar sobre o jornalismo vendido e a política podre.
A minha resposta, que pouco passou de um reforço:
Mais do que essa “fome” dos jornalistas mete-me nojo e ao mesmo tempo preocupa-me esta distorção daquilo que deveria ser a política. Esta falta de valores, estas MERDAS a que nos sujeitamos, esta cambada de clubistas que jogam à política como se de futebol tratasse. O problema disto tudo é que são vidas (e milhões delas) que estão em jogo…os jogadores passam sempre bem, fazem trinta por uma linha e aquilo que deveria ser a orientação e gestão de uma nação transforma-se num puro jogo de votos com o poder como prémio. Não deveria ser esta a de mais nobre das actividades profissionais? E o pequenito sem nada poder fazer, que já há substituiu o conceito de política por isto que vivemos, paga as crises e os desfalques e ainda tem tempo para alimentar sensacionalismos. Num mundo ideal e utópico a política seria até uma actividade voluntária e exclusiva dos sábios de cada país. O bem comum e a evolução são termos que já quase não existem. Porra com isto.
“Eu sou parvo ou quê? Quero ser feliz porra, quero ser feliz agora, que se foda o futuro, que se foda o progresso, mais vale só do que mal acompanhado, vá mandem-me lavar as mãos antes de ir para a mesa, filhos da puta de progressistas do caralho da revolução que vos foda a todos! Deixem-me em paz porra, deixem-me em paz e sossego, não me emprenhem mais pelos ouvidos caralho, não há paciência, não há paciência, deixem-me em paz caralho, saiam daqui, deixem-me sozinho, só um minuto, vão vender jornais e governos e greves e sindicatos e policias e generais para o raio que vos parta!”
José Mário Branco – “FMI”
Aproveito ainda para vos alimentar com um pouco do melhor que a música portuguesa tem para nos oferecer: OUVIR
Era eu ainda um moço, naquela idade da inocência e da pureza de sentimentos, quando me maravilhava com um disco que tinha o meu pai: “Noites Passadas” de um tal Sérgio Godinho. Desconhecia os motivos da sua música, a sua profundidade ou complexidade, limitava-me a usufruir da sua estética musical da forma mais pura que os meus sentidos me ofereciam, de resto como em tantos outros discos que me foram dados a ouvir. Este gosto tornou-se, uns anos mais tarde, quando a consciência começou a espreitar o exterior, numa admiração pelo poeta, músico e pensador que é Sérgio. Foi uma das peças que compôs a intervenção no tempo do Estado Novo, e uma das maiores. Esteve exilado em França, fugindo à Guerra Colonial e forçado pelos seus ideais políticos e pela sua necessidade em lutar e em fazer lutar. Durante o exílio participou em peças de teatro, editou dois discos e teve contacto com outros portugueses de um enorme valor que estavam “por terras de França” pelas mesmas razões, eram estes José Mário Branco, Luís Cília e José Afonso.
A validade da música surge de várias origens, uma delas é o seu valor textual – o valor da letra e da mensagem que transporta – uma outra é o nível estético que alcança pelas suas harmonias, melodias e arranjos. Sérgio Godinho consegue juntar as duas origens de uma forma única e bela. As harmonias arrojadas e os seus textos distinguem-no de outros tantos músicos e poetas. Arrasta gerações consigo, pais, filhos e netos, e faz questão de ser acompanhado por jovens músicos.
Há dois álbuns dele que são um marco na música ligeira e que devem fazer parte do conhecimento de qualquer apreciador de música: “Os Sobreviventes”, escrito e editado em França no ano 1971, é o seu álbum de estreia, um grito de revolta e de inspiração; o outro é “Coincidências”, editado em 1983, numa fase muito mais madura de Sérgio, sobretudo a nível musical, menos político, mais melódico e apaixonante.